Se trabalha em finanças, perder dados pode significar mais do que indisponibilidade — pode custar milhões, prejudicar a confiança dos clientes e desencadear multas regulamentares rigorosas. Em 2025, os custos das violações continuam entre os mais elevados de qualquer setor, enquanto enquadramentos de conformidade como o GDPR, o DORA e o PCI DSS 4.0 estão em vigor, e os atacantes estão a usar IA para tornar as intrusões mais difíceis de detetar.
Este artigo explica as principais causas de perda de dados na indústria de serviços financeiros, partilha as estatísticas mais recentes de violações de 2025, descreve os principais regulamentos que as instituições financeiras têm de cumprir e dá-lhe passos práticos para proteger dados financeiros sensíveis, manter a conformidade e preservar a confiança dos clientes.
O Cost of a Data Breach Report 2025 da IBM coloca a violação média em serviços financeiros nos 5,56 milhões de USD. Isso é menos do que nos cuidados de saúde, que continuam no topo da lista com 7,42 milhões de USD, mas mantém as finanças firmemente entre as indústrias mais caras em termos de violações. Para contexto, a média global em todos os setores é de 4,44 milhões de USD.
4,4MO custo médio global de uma violação de dados, em USD, uma diminuição de 9 % face ao ano anterior — impulsionada pela identificação e contenção mais rápidas. |
97 %Percentagem de organizações que reportaram um incidente de segurança relacionado com IA e que não tinham controlos adequados de acesso à IA. |
63 %Percentagem de organizações sem políticas de governance de IA para gerir a IA ou prevenir a proliferação de shadow AI. |
1,9M
Poupança em custos, em USD, da utilização extensiva de IA na segurança, em comparação com organizações que não usaram estas soluções. |
Fonte: IBM
Os custos não estão a baixar nas finanças como estão noutras indústrias, e isso é revelador. Novas ameaças, incluindo phishing impulsionado por IA e deepfakes, estão a empurrar os custos para cima. As instituições financeiras estão sentadas sobre dados que são simultaneamente valiosos para criminosos e fortemente regulamentados pelos governos. Essa combinação torna cada incidente mais caro de resolver.
E o dinheiro não é o único impacto. Mais de metade das organizações reporta danos reputacionais duradouros após uma violação de dados. Em serviços financeiros — onde a confiança é o modelo de negócio na sua totalidade — isso pode ser pior do que a própria violação técnica. Um único incidente de grande visibilidade pode significar clientes a transferirem as suas contas para outro lado, investidores a perderem confiança e reguladores a apertarem a supervisão.
Operacionalmente, o efeito em cascata é imediato:
É por isso que a segurança de dados em finanças não é apenas uma preocupação de TI — é um assunto de administração. Os riscos são imediatos, os custos estão a subir e os danos à confiança podem demorar anos a reparar.
Considere este cenário: um colaborador clica num link no que parece ser uma fatura de fornecedor de rotina. O e-mail foi gerado por IA, por isso é convincente o suficiente para ultrapassar os filtros e enganar até o pessoal mais cauteloso. Em poucas horas, os atacantes têm malware dentro da sua rede e estão a deslocar-se lateralmente.
Agora não está apenas a lidar com a limpeza técnica — está perante a notificação de clientes, reguladores, investidores e possivelmente das autoridades. Para além disso, terá de enfrentar os custos do tempo de inatividade, as repercussões reputacionais e, em alguns casos, a divulgação obrigatória ao abrigo de leis como o GDPR ou a NIS2.
A reputação demora mais a reconstruir do que os servidores. Mesmo quando os dados perdidos são restaurados, continuará a trabalhar para reconquistar clientes, tranquilizar parceiros e provar aos reguladores que tem o controlo dos seus sistemas.
A boa notícia: a maioria destes incidentes pode ser prevenida. Se compreender as causas mais comuns de perda de dados — e as tratar antes que aconteçam — pode evitar a maior parte do sofrimento.
A perda de dados em finanças não tem uma única causa raiz. Pode ser tão simples como um colaborador a enviar o ficheiro errado por e-mail ou tão complexa como um grupo de ransomware a usar phishing gerado por IA para entrar. Alguns riscos são inevitáveis — falhas de hardware, tempestades ou desastres naturais. Outros são totalmente evitáveis com as políticas e os controlos certos.
Ciberameaças: phishing, ransomware e infeção de dispositivos
Os ciberataques são a causa mais cara de perda de dados. O DBIR 2025 mostra:
Ameaças internas
Os colaboradores e prestadores de serviços podem representar riscos não só por erros, mas também através do uso indevido deliberado de dados. Embora menos comuns do que phishing ou ransomware, estes incidentes são bastante mais caros: o relatório de 2025 da IBM concluiu que os ataques internos maliciosos custam, em média, 4,92 milhões de USD.
Como os insiders já têm acesso legítimo, as suas ações são mais difíceis de detetar até que o dano real seja causado. Eis 7 estratégias de gestão de risco interno que podem ajudar a reduzir o risco.
O erro humano como causa de perda de dados
O elemento humano continua a ser o ponto fraco mais persistente. O DBIR 2025 da Verizon concluiu que 60 % das violações envolvem um fator humano — seja uma base de dados mal configurada, um destinatário errado de e-mail ou uma falha de juízo durante uma tentativa de phishing. Em finanças, mesmo pequenos erros podem expor dados pessoais sensíveis ou desencadear comunicação obrigatória aos reguladores.
Dispositivos não geridos / Trabalho remoto
O relatório de 2025 da Verizon concluiu que 30 a 46 % dos sistemas comprometidos com inícios de sessão corporativos eram dispositivos não geridos. Estes são portáteis, smartphones ou computadores pessoais que os colaboradores usam para trabalho, mas que não estão inscritos nos controlos de segurança da empresa. Sem monitorização ou atualizações impostas, criam pontos cegos que os atacantes podem facilmente explorar — uma gestão rigorosa de dispositivos e políticas BYOD são importantes para qualquer empresa que permite aos colaboradores trabalhar a partir dos seus próprios dispositivos.
Falha de hardware e indisponibilidade dos sistemas
Nem todos os incidentes são causados por hackers. As falhas de hardware — quedas de servidor, picos de corrente ou equipamento envelhecido — continuam a causar indisponibilidades todas as semanas. Em configurações híbridas, um sistema on-premise falhado pode propagar-se em cascata para ambientes na cloud se os planos de recuperação de desastres não estiverem em vigor.
Erros de migração e corrupção de dados
A movimentação de dados entre sistemas, ou de servidores no local para a cloud, é outro ponto comum de falha. Durante fusões e aquisições no setor financeiro, migrações de dados feitas à pressa conduzem frequentemente a corrupção, exposição acidental ou violações de conformidade. Com mais cargas de trabalho na cloud, as configurações incorretas durante a migração tornaram-se uma das principais causas de violações.
Desastres naturais e riscos físicos para os dados
Cheias, incêndios e tempestades severas continuam a ser uma ameaça à infraestrutura física. Com o aumento dos riscos climáticos, os reguladores esperam agora que as instituições financeiras mantenham cópias de segurança geo-redundantes, para que um único evento não desligue toda a operação.
Alguns destes riscos são inevitáveis. Mas a maioria — especialmente phishing, ransomware, abuso de credenciais e shadow TI — pode ser prevenida com a combinação certa de governance, formação dos colaboradores e tecnologia. É aí que as estratégias de prevenção fazem a diferença entre uma disrupção menor e uma violação de muitos milhões de dólares.
Em 2025, as cópias de segurança continuam a ser essenciais, mas não chegam por si só. As instituições financeiras precisam também de processos claros, pessoal bem formado e ferramentas de segurança que consigam acompanhar as realidades atuais — como e-mails de phishing escritos por IA ou colaboradores a trabalhar em portáteis pessoais.
1. Controlos fortes de identidade e acesso
Os atacantes estão cada vez mais a iniciar sessão com credenciais roubadas em vez de invadirem. Isso torna a proteção da identidade a sua linha da frente.
2. Formação dos colaboradores para prevenir a perda de dados
O phishing continua a ser a principal forma de os atacantes entrarem. A formação anual já não chega. Os colaboradores precisam de reciclagens e simulações contínuas — especialmente agora que a IA torna as tentativas de phishing mais difíceis de detetar.
Dica: Partilhe estas cinco dicas práticas para ajudar os colaboradores a trabalhar em segurança como parte de programas contínuos de consciencialização.
3. Trabalho remoto e dispositivos seguros
O relatório de 2025 da Verizon concluiu que quase metade das contas comprometidas vinham de dispositivos não geridos. Para reduzir o risco:
Leitura adicional: Eis como funciona a encriptação de dados e por que razão o seu negócio precisa dela.
4. Mantenha software e sistemas atualizados
Vulnerabilidades não corrigidas causaram cerca de 20 % das violações em 2025 (Verizon). Para as instituições financeiras, instalar correções não é uma manutenção opcional — é uma questão de conformidade. Automatize as atualizações sempre que puder e garanta que os dispositivos de fronteira como VPN, firewalls e ferramentas de colaboração estão cobertos.
5. Limite a exposição de dados
Nem todos os colaboradores precisam de acesso a PII de clientes ou registos de transações financeiras. Use controlos de acesso baseados em papéis e audite-os regularmente. Quanto menos portas abertas, menos erros podem acontecer.
6. Cópias de segurança e redundância
Mantenha múltiplas cópias geo-redundantes dos seus dados. O armazenamento na cloud continua a ser a opção mais fácil e mais resiliente, mas os reguladores esperam agora uma configuração híbrida. Mantenha pelo menos uma cópia offline ou em suporte físico para ter um plano B limpo se o ransomware bloquear os seus sistemas ou se o seu fornecedor de cloud ficar em baixo.
7. IA e automação para defesa
A IA corta dos dois lados. Os atacantes usam-na para escalar ataques de phishing e de falsificação de identidade. Mas os defensores que usam ferramentas orientadas por IA poupam tempo e dinheiro.
A IBM concluiu que o uso extensivo de IA e automação reduziu os custos das violações em 1,9 milhões de USD em média e acelerou a deteção e contenção em 80 dias. Para as instituições financeiras, essa é a diferença entre cumprir o prazo regulamentar de 72 horas — ou não.
A IA faz agora parte das operações diárias da maioria das instituições financeiras — desde chatbots e deteção de fraude a modelação de risco. Mas a IA também abriu novas lacunas de segurança. Os atacantes já as estão a explorar, e muitas organizações não estão preparadas.
O relatório de 2025 da IBM concluiu que 16 % das violações envolveram atacantes a usar IA, mais frequentemente para phishing gerado por IA (37 %) e ataques de falsificação por deepfake (35 %). Para além disso, a shadow AI — colaboradores a usar ferramentas de IA não aprovadas — acrescentou em média 670.000 USD aos custos das violações.
O que torna isto especialmente perigoso é a governance. A IBM concluiu que 63 % das organizações violadas não tinham políticas de governance de IA, e 97 % das violações relacionadas com IA aconteceram em sistemas sem controlos adequados de acesso.
Mesmo com a melhor prevenção — seja para ameaças tradicionais ou para novos riscos de IA — as violações ainda podem acontecer. É por isso que cada instituição financeira precisa de um plano de resposta testado para agir rapidamente quando as defesas são violadas.
Quando ocorre uma violação, cada hora conta. Um plano de resposta claro e ensaiado ajuda as instituições financeiras a conter o dano, cumprir os prazos regulamentares e restaurar as operações com disrupção mínima.
Passo 1: conter imediatamente a violação de dados
Passo 2: avaliar o âmbito da perda de dados
Faça as perguntas essenciais com rapidez:
O relatório de 2025 da IBM mostrou que as violações contidas em menos de 200 dias custaram em média 3,87 milhões de USD, em comparação com 5,01 milhões de USD quando a contenção demorou mais. Cada dia conta.
Passo 3: envolver TI, jurídico e especialistas em cibersegurança
Passo 4: recuperar sistemas e restaurar as operações de negócio
Passo 5: notificar reguladores, clientes e parceiros
Vai precisar de comunicar com:
Tentar minimizar ou esconder um incidente quase sempre se vira contra. A transparência protege a confiança melhor do que o silêncio.
Passo 6: aprender com a violação e fechar as lacunas
Uma violação nunca deve terminar apenas com a recuperação. Aprofunde o que correu mal e implemente medidas concretas para que não volte a acontecer:
Sabia que? A IBM concluiu que as organizações que usam defesas orientadas por IA de forma extensiva encurtaram os ciclos de vida das violações em 80 dias e pouparam em média 1,9 milhões de USD por violação.
A tecnologia por si só não chega, no entanto. As instituições financeiras operam também num dos ambientes mais regulamentados, onde falhar as obrigações de conformidade pode ser tão dispendioso como a própria violação.
Para além dos custos diretos de uma violação, as instituições de serviços financeiros enfrentam alguns dos regulamentos de segurança de dados mais rigorosos do mundo. Em 2025, estas regras vêm com multas mais elevadas e supervisão mais dura:
Estas regras mostram que a prevenção não é opcional — espera-se que os bancos provem que conseguem proteger informação sensível.
A maioria das instituições financeiras já faz cópias de segurança e atualiza sistemas, mas o que tira o sono aos líderes financeiros são os riscos do dia-a-dia — como um colaborador a carregar ficheiros para um chatbot de IA, a guardar registos de clientes num portátil pessoal ou a enviar extratos para o endereço errado por e-mail. A Safetica está construída precisamente para prevenir estes cenários.
Eis o que traz para a mesa:
A Safetica funciona em endpoints, serviços na cloud e Microsoft 365, com implementação rápida e integração simples na sua stack existente.
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